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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Lugar de mulher é onde mesmo?

Postado por Dry Santos às 17:55 1 comentários

Nosso planejamento para a aula solicitada pela professora Nádie Spence, na disciplina de ensino e identidade docente, começa com os cursos dos quais eu e minhas colegas de grupos fazemos parte: Ciências Sociais e Letras. No grupo, somos eu, Luiza Monteiro e Bruna Passos. As duas são da Letras e eu das Sociais. À princípio, é de fácil colaboração a colocação destes dois cursos numa proposta interdisciplinar, visto que ambas são ciências humanas, utilizam de formas diversas a linguagem e afins. Nossa proposta foi se construindo rapidamente, numa avalanche de ideias que se encaixaram e deram tão certo! Eu gostaria de trabalhar a questão do papel social de gênero, visto que é de extrema importância e significado em uma turma de ensino médio. Este assunto sempre me chamou atenção e acredito que ele tenha um grande potencial para trabalharmos conceitos sociológicos a partir deste assunto que gera polêmicas, mas muita discussão que serve de base para a construção de um rico conhecimento. Ao abordar o papel social de gênero, podemos falar de diferenças culturais x naturais, trabalhando com o que é natural, o que é cultural, como que algo se constrói socialmente, a questão do gênero, dos papéis que se assume socialmente, dos grupos sociais... É um assunto que pode abrir um grande leque para outros conteúdos sociológicos. A partir disso, minhas colegas foram colocando ideias, fomos construindo nossa base: queríamos leitura, escrita, debate e um meio de transformar o senso-comum em saber sociológico, sistemático, mas sem perder as vivências. É por isso que o conto "Convenções", do Luis Fernando Veríssimo, escritor gaúcho de grande sucesso e de grande talento, vem totalmente ao encontro do que prevíamos para a discussão. 


"Convenções 
Por Fernando Veríssimo em O melhor das comédias da vida privada

A classe média é uma terra estranha.

A Mirtes não se aguentou e contou para a Lurdes:
- Viram teu marido entrando num motel.
A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua do espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes. Quando? Onde? Com quem?
- Ontem. No Discretissimu's.
- Com quem? Com quem?
- Isso eu não sei.
- Mas como? Era alta? Magra? Loira? Puxava de uma perna?
- Não sei, Lu.
- O Carlos Alberto me paga. Ah, me paga.
Quando o Carlos Alberto chegou em casa, a Lurdes anunciou que iria deixá-lo. E contou por quê.
- Mas que história é essa, Lurdes? Você sabe quem era mulher que estava comigo no motel. Era você.
- Pois é. Maldita hora em que eu aceitei ir. Discretissimu's! Toda a cidade ficou sabendo. Ainda bem que não me identificaram.
- Pois então?
- Pois então que eu tenho que deixar você. Não vê? É o que todas as minhas amigas esperam que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e não reagir.
- Mas você não foi enganada. Quem estava comigo era você!
- Mas elas não sabem disso!
- Eu não acredito Lurdes. Você vai desmanchar nosso casamento por isso? Por uma convenção?
- Vou.
Mais tarde, quando a Lurdes estava saindo de casa, com as malas, o Carlos Alberto a interceptou. Estava sombrio.
- Acabo de receber um telefonema - disse. - Era o Dico.
- O que ele queria?
- Fez mil rodeios, mas acabou me contando. Disse que, como meu amigo, tinha que contar.
- O quê?
- Você foi vista saindo do Motel Discretissimu's ontem, com um homem.
- O homem era você.
- Eu sei, mas eu não fui identificado.
- Você não disse que era você?
- O quê? Para que os meus melhores amigos pensem que eu vou a motel com a minha própria mulher?
- E então?
- Desculpe, Lurdes, mas...
- O quê?
- Vou ter que te dar um tiro."


 Bom, é só para dar um gostinho do nosso planejamento. Quando ele estiver prontinho, postarei aqui.

Beijo grande,
Endryelle Santos.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Professor: ser ou não ser, eis a questão!

Postado por Dry Santos às 19:08 1 comentários

O que faz um professor ser professor? O que leva alguém a dedicar boa parte da sua vida ao delicioso e doloroso processo de ensino-aprendizagem? Será que podemos vislumbrar um professor apenas por sua "casca"?

Ser professor se dá através de sua profissão e de sua personalidade, ou seja, como diz Sonia Penin: pela sua profissionalidade. E o porquê de ser assim? O profissional professor trabalha com seres humanos, que são, que pensam, que sonham, que vivem... É como na dupla-hermenêutica de Giddens. Trabalhamos com seres que possuem conhecimento de sua condição. Ser professor envolve aspectos extrínsecos e intrínsecos. Os fatores extrínsecos de sua profissão podem ser definidos pelas suas condições de trabalho, a estrutura oferecida, sua formação. Os fatores intrínsecos se referem ao vivido entre professor-aluno. Muitas vezes são os fatores extrínsecos que incomodam e preocupam os professores, dada a desvalorização visível da profissão. Por outro lado, os professores atribuem suas escolhas ao papel da educação, aos bons sentimentos de ensinar e aprender.
 Para ser um profissional, é preciso de muitos saberes... Os saberes profissionais, que são aqueles que se referem ao racional, ao conhecimento adquirido sobre o processo de ensino-aprendizagem. Mas não basta somente estes. É preciso de saberes do vivido, da realidade em que o aluno está inserido, assim como os saberes que estiveram presentes na formação do professor. E quando começou esta formação? Desde sempre! Mesmo antes de se "tornar" professor, estamos construindo nossos saberes experienciais. Não deixo esquecer de um fato importante em minha vida e que acredito que me aguçou à docência: eu nunca saía de um mercado sem um lápis e um caderno. Minha mãe achava interessante o fato de eu trocar umas balas por um caderno. É tão singelo, mas me faz pensar em toda a minha trajetória. Esses saberes são de extrema importância! Não há de ter um professor com uma bela profissionalidade sem ter essa crença na educação, em seu poder de mudança, de transformação... É o professor, com qualidades e defeitos, dor e alegria ao ensinar, que pode e deve manifestar essa crença em tão grande poder. É preciso conhecer método, currículo, processos de aprendizagem, mas mais do que isso, é preciso conhecer as pessoas, a si e aos seus alunos. Estar em uma constante reflexão sobre o que virá e o que já foi. Mais do que reclamar de uma situação no presente, é buscar inspirações no passado e traçar estratégias diferenciadas para o futuro. É por isso que é de fundamental importância, como muito bem nos traz Sonia Penin, a formação inicial e a continuada, atrelada ao conhecimento da realidade onde se está inserido. Não basta um bom início... É preciso uma bela caminhada, reflexiva e prática, sonhadora e realizadora, crente e dialética; não para se ter um belo fim, já que em nossa jornada pedagógica os saberes a serem construídos não têm limites e nem um final. Vamos nos construindo enquanto professores aos poucos e sempre.

"Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feiraàs 4h da tarde. Ninguém nasce educadorou marcado para ser educador. A gente se faz educador,a gente se forma, como educador, permanentemente,na prática e na reflexão sobre a prática".Paulo Freire


Postagem realizada com base na leitura de: PENIN, Sonia. Profissão docente e contemporaneidade. In: PENIN, Sonia; MARTINEZ, Miguel; ARANTES, Valéria Amorin (org.) Profissão Docente: pontos e contrapontos.   São Paulo: Summus, 2009. p.15-40. 
 

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